diego dacal

O grande, o mito, o melhor da história!

A internet em tempos de rede de pessoas, e não sites/hiperlinks, tem como uma de suas características a construção de uma estrutura linguística própria. Mesmo não sendo linguista, imagino que qualquer grupo de pessoas, com uma relação um pouco mais aprofundada, tenha uma criação de vocabulário e oralidade bem peculiar.

Olympians

Nesse post não vou falar da comunicação através do uso de imagens e vídeos (que hoje são tidos por marcas como as principais formas de se passar uma mensagem que seja facilmente absorvida pelos usuários na internet). Vou me ater a linguagem escrita, característica básica da internet, que desde os anos 90 até hoje se baseia em texto. Acredito ainda que a linguagem textual seja a principal forma de conversação entre dois indivíduos que não sejam marcas, seja na internet ou não.

Venho percebendo que em vááááários casos e comentários as pessoas comumente se referem àquele fato como “mito”, “genial” ou coisas do tipo. Mas será que são mesmo mitos? No Yahoo Respostas:

O que quer dizer “mitei”?

Melhor resposta – Escolhida pelo autor da pergunta

Me tornei mito, hit de sucesso na net … fiz algo mítico .. épico … !
entendeu ?!
sinônimo de MEGA FAIL !

A necessidade de encontrar o melhor, o mito ou o maior acaba me remetendo a alguns princípios teóricos descritos por Ben Singer, em seu texto “Modernidade, hiperestímulo, e o início do sensacionalismo popular“. Em resumo, Singer mostra em sua obra como a mídia se reconfigurou em finais do século XIX/início do XX, precisando encontrar formas de “chamar a atenção” de um novo indivíduo surgido em tempos pós Revolução Industrial. Esse indivíduo, disperso em meio a tanta informação, novos inventos, como o carro, o bonde, novidades que não cessam de aparecer, que é também chamado de “blasé” por sociólogos como Bauman e Simmel, são incapazes de reagir a todos os estímulos gerados na modernidade e andam anestesiados por tanta informação.

Capa Meia Hora - Chupa Tessalia

 

Nos dias de hoje vemos uma mídia altamente sensacionalista, brigando por um espaço no imaginário popular e buscando formas de se destacar dos outros, coisa que vemos em jornais como o Meia-Hora, que encontrou uma forma de dialogar com seu target usando trocadilhos e linguagem coloquial.

Mas a necessidade de se destacar com hipérboles e ser sensacionalista não passa apenas pela mídia, tal como conhecemos nos anos 80 e 90. Com o advento das redes sociais digitais, cada pessoa passou a exercer também um papel de mídia na sociedade, cada indivíduo/grupo é um ator na rede de interações sociais e luta por um espaço e uma forma de ser relevante para seu grupo social.

Ainda, segundo Edgar Morin em seu livro “Cultura de Massas no século XX: Neurose“, o mundo contemporâneo midiatizado traz consigo “vedetes da grande imprensa”, indivíduos que fazem algo de especial, desvinculados de qualquer carater político, são eles astros do cinema, campeões de algum esporte, pessoas com atributos especiais que são tomados como sobre-humanos, uma imagem inalcançável de humano social, são quase Deuses Olimpianos. Mas com a dinamização dos meios de comunicação percebemos também uma aceleração da criação de Novos Mitos Olimpianos em nossa sociedade.

Um jovem que reune milhares de fãs em um shopping, para um rolezinho, é um olimpiano. Um personagem empático que pode nem ter ganhado o BBB é um mito contemporâneo. Uma cantora que lança um hit de sucesso no verão é um mito. Em nossa sociedade, mitos são figuras voláteis, personagens criados e esquecidos a todo instante nessa busca por uma figura com quem possamos nos identificar.

Mas porque temos mitos tão efêmeros? Será a necessidade de identificação e projeção, como forma de conter as pulsões do ser humano? Será essa a forma que a mídia e o capital encontraram de manter os indivíduos em um espaço controlado, mas que é tão dinâmico que os olimpianos de hollywood já não satisfazem as massas, que buscaram identificar-se com novos olimpianos, iguais a eles próprios?

Comentários

  • 21/01
    17:58

    Sao os InstaMitos, famosos em todo o mundo por 15 minutos, conforme o Andy Warhol previu. Mas quem estiver atento vai perceber que existem também os InstaVilões midiáticos, como o Joseph Kony e a Justine Sacco.

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