diego dacal

Egito, uma revolução digital

Muito se tem lido e ouvido sobre os conflitos no Egito. E ainda nas redes sociais pode-se ver uma grande movimentação mundial em apoio à deposição do ditador Hosni Mubarak. Mesmo agora, dias ou quiçá semanas depois do início de todo o conflito, pode-se ver que o assunto vem sendo ainda muito falado. No Twitter e ele se encontra em trending topics mundial e também em todos os nacionais. O fato curioso fica para o TT dos EUA, que em não usa nenhum termo “Egito” ou “Mubarak”, como todos os outros países, eles usam a hashtag #jan25, da qual vem sendo chamada esta revolução (se é que esse movimento de deposição pode ser chamado assim).

Há algum tempo vemos as mídias sociais agirem de forma determinante em muitos casos. Acredito que o Ejercito Zapatista de Libertación Nacional (EZNL, do México) tenha sido o primeiro movimento político a usar as ferramentas digitais de comunicação para conseguir novos apoiadores de uma causa, depois disso vimos o famoso smartmob realizado na España, nas eleições que aconteceram depois do atentado do metrô de Madrid, e ainda tem o case do Obama nas últimas eleições dos Estados Unidos e a prisão do fundador do Wikileaks. Recentemente tivemos o Irã e a Tunísia com problemas políticos e que contaram com um grande apoio internacional através das ferramentas de social media.

Queria fazer uma simples pergunta aqui: Você sabe como está a situação política do Irã hoje?

Não sei se é justo ou se é certo ou ainda se é válido o que eu quero dizer. Mas vejo essas causas políticas de outros países sendo apoiadas pelo mundo inteiro e não sei se elas são causas autênticas de serem apoiadas. Acredito que a grande massa que apoia as causas apoia somente porque vê que toda a internet está apoiando e lê umas 5 notícias em jornais (que, por favor, todos sabemos que NÃO são meios imparciais) que dizem que esta é uma causa válida de ser apoiada, e os jornais, por sua vez, escrevem em favor da deposição do atual presidente (ou ditador, ou seja lá o que for) porque precisa vender jornais e escreve para as pessoas que apoiam a causa.

Há alguns anos eu vi um documentário chamado “A revolução não será televisionada” que fala de um “suposto” golpe de estado contra Hugo Chavez. Ao conversar com alguns amigos venezuelanos hoje, eu contei sobre este documentário e alguns deles viviam em Caracas nesta época e me explicaram que o que foi noticiado por ambos os lados não era uma coisa verídica e tentaram me explicar a situação em que a Venezuela se encontrava na época e os motivos que levaram a este “golpe” e eu, sinceramente, não entendi nada. Como eu apoiaria a saída do Chavez, que pude perceber que é tão bom para as classes inferiores da sociedade? Ou como posso não apoiar a sua saída ouvindo meus companheiros contando sobre a crescente criminalidade, as grandes restrições, o desaparecimento de pessoas contra-situação?

Bom, eu não conheço a realidade do Egito ou do Irã ou da Venezuela para poder apoiar alguma causa deles, nunca fiz uma análise crítica da situação do país ou de seus líderes. Então eu prefiro afirmar que eu não apoio a causa do Egito, mas também não desapoio, não sou a favor e nem contra. Sou contra as mortes que acontecem nessas causas, sou contra o corte da internet no país e contra a censura da liberdade de expressão para ambos os lados. Proponho a quem estiver lendo este post a sempre tentar fazer uma análise crítica da causa antes de apoiá-la..

04/02/2011

Comentários

  • 04/02
    14:39

    “Como eu apoiaria a saída do Chavez, que pude perceber que é tão bom para as classes inferiores da sociedade? Ou como posso não apoiar a sua saída ouvindo meus companheiros contando sobre a crescente criminalidade, as grandes restrições, o desaparecimento de pessoas contra-situação?”

    Facilita bem o processo de obtenção de respostas às dúvidas da vida quando estamos centrados em nossos princípios. Mais especificamente no caso acima, se por princípio você (nós) acreditamos que a liberdade e a democracia são valores centrais então a resposta está dada.

    Ocorre que sempre haverão prós e contras dependendo se o sujeito que avalia é um cidadão venezuelano ou não, se tem um emprego no governo daquele país ou não, se está passando fome naquele momento ou não…etc,etc.

    Entendo ser este o mecanismo de reflexão mais adequado, ou seja, a confrontação das questões vis-à-vis nossos princípios.

    abs,
    Johnny

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