diego dacal

Oriximiná, Pará, Brasil

A igreja e os fogos

Um pouco da geografia:


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Para começar a série, resolvi começar pela cidade de Oriximiná, que fica localizada no oeste paraense. A cidade, que é a princesa do Rio Trombetas, é pequena, e possui algo em torno de 50mil habitantes. O município, em área, é o 3º maior do mundo, ficando atrás apenas de um município na China e outro também no Pará.
A cidade é vizinha de Óbidos, a capital cultural da região. Este município possui 2 membros fundadores da Academia Brasileira de Letras, Inglês de Souza e José Veríssimo.
Na região do oeste paraense existe um movimento que pretende criar um novo estado para aquela região, que muitas vezes é deixada de lado pelo Governo do Pará. O novo estado seria o Estado do Tapajós, e a capital Santarém.

Minhas percepções:

A cidade também possui as primeiras terras Quilombolas demarcadas do Brasil, o que foi uma vitória muito grande, esta população quilombola vive, em sua grande parte, nos rios Erepecuru, Erepecu e no Alto Trombetas, e são recheados de lendas e mitos, como o do boto, das cobras do Erepecu e Erepecuru, da igreja de ouro e muitos outros.
Oriximiná parece ser duas cidades dentro de uma, os que são da cidade e os que são do interior. As pessoas da cidade são muito simpáticas e receptivas, na cidade tudo é bem barato comparado ao custo de vida do Rio de Janeiro. No interior as pessoas rapidamente ficam muito íntimas e confiam muito em quem está lá com o status de pesquisador, elas são muito sinceras e carinhosas, nas comunidades o dinheiro não é algo tão necessário, eles vivem basicamente de extrativismo, o dinheiro se torna importante no relacionamento com a cidade, para comprar diesel, comidas que eles não plantam, remédios, motores e outros.
Algumas pessoas do interior vão estudar na cidade, percebi que tentam fazer cursos que sejam necessários ou úteis à comunidade, como cursos de saúde, para se tornar professor etc. Essas pessoas que vão estudar “fora” não veêm a hora de voltar para suas comunidades, elas quase não conseguem viver dentro da cidade, e sem suas casas tentam reproduzir um pouco da comunidade dentro da cidade.
O futebol carioca é muito presente nestas terras, e pude perceber, empiricamente, que o Vasco é o clube de maior aceitação lá, mas também existem muitos flamenguistas, são paulinos e corintianos. Naquela região eles torcem muito pelo São Raimundo, time de Santarém, recém promovido à série C, que sagrou-se campeão ao vencer o Macaé Sports, time da minha cidade aqui no Rio de Janeiro. Bela coincidência.

Porque Oriximiná?

Fui fazer um trabalho extencionista, através da minha faculdade, no Curso de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense. Quem me orientou e apoiou nessa empreitada foi a professora Ana Enne.

Como chegar:

Chegar à Oriximiná é mais que uma viagem, é uma missão. Saindo do sudeste brasileiro, pode-se ir até Manaus, Belém ou Santarém. E dessas cidades tomar um barco que vá até a princesa do trombetas. De Manaus demora-se algo em torno de 1 dia e meio de viagem, de Belém demora-se muito mais, e de Santarém eu não faço ideia.
Existe também a opção de tomar um pequeno avião em Santarém, através da Meta Linhas Aéreas.
Eu fiz o trajeto de barco partindo de Manaus, e foi uma ótima experiência. Ficar tanto tempo em um barco é bem legal. Mas infelizmente perigoso, frente aos vários acidentes que ouvimos histórias. Uma outra dica que deixo para viagens de barco é para tomar muito cuidado com seus pertences quando o barco atraca nos portos intermediários. Qualquer um pode entrar na embarcação e dizem que os roubos são uma constante. Felizmente não perdi nada.

Uma música

Veja também

Uma foto minha foi selecionada como “foto do dia” no site da Nationan Geographic Brasil.
O blog que escrevi durante o projeto ou o twitter do projeto
O portal do Ariuca

25/12/2009

Comentários

  • 04/02
    09:43

    Olá!
    Obrigada por visitar minha coluna no blog do Argônio!
    Gostei muito do seu blog!
    Parabéns pela imagem e também pel aindicação no National Geografic!
    Em seu belo texto,algo me chamou a atenção em especial,uma questão antropólaga:Sendo'Oriximiná",uma cidade de raízes quilombolas,é belo ver o desenvolvimento dela sem perder as tradições.
    Aqui em MG,sociedades quilombolas geralmente vivem à beira,segregada,o que é lamentável.
    p.s: Deve ser muito interessante o trabalho que aplicou Hobbes, Locke e Tocqueville à filosofia de Lost.
    Abs!

    Carol Sakurá
    http://lepoeteenfleur.blogspot.com

  • 17/03
    04:28

    rs obrigada pelo "Sorte"
    acho que vou precisar rs

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