diego dacal

Um futuro negro para o Rio de Janeiro

Não consigo ver um futuro brilhante para a cidade do Rio de Janeiro. Sendo ainda um pouco mais apocalíptico eu me atrevo a dizer que em breve o Rio pode desaparecer como player no cenário de produção de cultura e tendências no mundo e ficar apenas com suas belezas naturais, se não conseguirem destruir também.

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Há coisa de 1 ano e meio eu me mudei para o Rio e desde então venho encarando o insuportável trânsito da cidade e alguns outros problemas, como corrupção, violência policial, incoerência administrativa, governos que não nos representam mas que se mantém etc. Desde que cheguei na cidade venho escutando vários amigos dizendo que querem sair da cidade, que não aguentam mais. E todos sabemos que não é fácil!

Quando comecei a trabalhar no projeto onde estou hoje conheci a Carol Althaller, coolhunter, mulher da modas fashion, pesquisadora de cultura e esses lances que ninguém entende o que é, mas que ela faz. A parada é que ela contou uma história que me marcou muito e que me fez o olhar o Rio de outra forma. Ela contou uma história sobre as olímpiadas de Londres e sobre um bairro que era referência cultural na cidade.

With the arrival of the Olympics in east London, the world’s attention has turned to the creative heartland of the capital. What does this mean for the artists, designers, musicians and publishers making their mark here, who face rising rents and an endlessly increasing variety of artisanal coffee? – Dazed

Com a especulação imobiliária rolando brutalmente no bairro, os designers, fotógrafos, artistas e outros criativos (que todos sabemos que em geral são fudidos de grana, mas ricos de personalidade e identidade cultural) alguns tiveram que sair do bairro por não conseguir pagar suas contas. O bairro começou a perder sua identidade, pessoas começaram a andar de preto nas ruas, sua máquina criativa começou a ser desmantelada em favor do enriquecimento de especuladores para vender apartamentos em um bairro cool que pode deixar de ser cool em alguns anos. A matemática é simples.

No Rio isso vem acontecendo já há algum tempo. Aluguéis de um apartamento quarto e sala na Tijuca já custam metade do salário de alguém com o perfil que alugaria algo do tipo, na zona sul os aluguéis já são o salário todo. A saída? Morar incrivelmente longe, aturar o transporte coletivo ineficiente e de péssima qualidade e levar algo em torno de 2h para chegar no trabalho ou faculdade. Essa surrealidade dos preços praticado por aqui levou a criação de dois sites que mostram as incoerências dos preços: Tem algo errado ou estamos ricos? e o Rio $urreal

Com preços de imóveis absurdos, transporte coletivo ineficiente, uma máquina de estado falida, uma polícia opressiva qual é a melhor saída para o Rio? Sair! Vejo inúmeros amigos, designers, fotógrafos, criativos, intelectuais etc, que são potencialmente o futuro cultural/intelectual do Rio de Janeiro querendo ir embora e muitos de verdade indo embora, principalmente para o sul do país.

Me pergunto se daqui a 50 anos o Rio ainda vai ser a referência cultural que criou a Bossa Nova, o Samba, o Choro, que serviu de cenário para clipes do Michael Jackson, Snoop Dog, Beyoncé, Mulek Transante, novelas do Manoel Carlos, que inspirou pintores como Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Debret, Tarsila do Amaral etc.

O que o Rio vai ser? O que vai ser do Rio?

28/04/2014

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