diego dacal

A cultura do Free

Já dizia o velho ditado: “Não existe almoço grátis”. Mas o termo “velho” cai muito bem aí, parece que algo está mudando em nossa economia, parece que agora a cultura do free impera.
Na semana passada eu estava conversando com alguns amigos sobre essa mudança de paradigma econômico, que agora as pessoas se recusam a pagar por alguns tipos de serviços, principalmente os serviços online. Quem que lê este blog que paga algum serviço online?
Eu, pessoalmente, pago somente o flickr e acredito que me recusaria a pagar algum outro seviço online. Há algum tempo atrás rolou um buzz muito grande no ciberespaço devido a uma decisão da last.fm. O site decidiu cobrar uma taxa, aproximadamente R$6,00 por mês, para usuários de alguns países. Isso, por motivos óbvios, incluiu o Brasil, país onde todos queremos almoço grátis o tempo todo, principalmente no mundo virtual. Eu não acho que esse preço seja abusivo. Acho muito compatível com o poder aquisitivo de um classe média brasileiro que tenha uma banda larga e que escute música de todos os mais variados ritmos o dia todo.
Bom, continuando o raciocício da mudança de paradigmas sócio-econômico-culturais, em debate com um amigo, formado em história, ele levantou uma hipótese de que nada mudou. Que tudo continua a mesma coisa: as pessoas querem tudo pelo menor preço, e esse preço agora é o grátis.
Algumas correntes defendem que existe o banditismo (não aquele banditismo por falta de comida, sim aquele para ter o seu iPod, celular, Nike Shox etc, por questão de moda) porque o “cidadão” é hiperestimulado a consumir tudo aquilo o tempo todo, e como ele não possui um poder aquisitivo compatível para o consumo, a forma que ele encontrou de consumir foi roubando de quem pode consumir.
Então, nós todos somos hiperestimulados a consumir. Vemos placas de promoções o tempo todo, sempre dizendo que o preço é o menor, que parcela-se em 200x, que cobre-se qualquer oferta. A propaganda, o contexto e a nossa cultura nos faz querer consumir tudo o tempo todo, num frenesi alucinado (redundante, mas na cultura do hiperestímulo é permitido). E o ciberespaço não é diferente, e mais, é mais fácil conseguir algo grátis, como opções de software livre e ferramentas que rodam na nuvem de conexões. E se não existe grátis, é fácil, rouba-se, a pirataria está aí. Crackers quebram códigos de programas caríssimos o tempo todo.
Acha tudo uma palhaçada? O youtube deve ter um prejuízo de U$174,2 milhões este ano. Agora imagine a internet SEM o youtube, nossa globo, a fazenda, BBB, jeremias muito doido, tapa na pantera e outros. Imagine o youtube pago! Impossível.
Fato é que nossa economia muda um pouco, como tudo ela é levada ao seu extremo de consumo. E, coincidência ou não, o Chris Anderson, autor do livro “A Cauda Longa”, lançou seu mais novo livro, entitulado “Free”, disponibilizado também de forma free.

09/07/2009

Comentários

  • 09/07
    22:03

    Essa é uma excelente discussão e que pelo visto nunca terá fim?
    Como cobrar por serviços veiculados pela internet?
    Pirataria, cópias ilegais…tantos assuntos que merecem destaque.
    Excelente post.
    Coloquei um link lá no http://www.pandemiadigital.wordpress.com

  • 10/07
    01:51

    interessante a discussão q vc propõe, gostei bastante do texto. Mas ao mesmo tempo, gosto bastante da possibilidade de uma utopia virtual do tudo free. Mas sei bem o mundo em q estamos. Bem, acho q isso sempre vai render boa discussão. bjos.

  • 10/07
    11:07

    Acho que o desejo de ser free em produtos digitais (software, música, imagem…) ou em serviços (flick, last.fm…) esteja associado ao valor que as pessoas atrelam a esses produtos.
    Como um software pode ser copiado de pessoa a pessoa, não existe um valor agregado visivel nesses produtos. Você POSSUI um CD no lugar de uma MP3, que pode ser perdida e baixada de novo.
    O que pode estar mudando é o conceito de propriedade, e não o de valor. Estamos ficando como os Hobbits…

  • 28/09
    14:16

    Mais de dois meses depois estou eu aqui pra comentar. Eu acho que a idéia do free é um atrativo, deveria ser mais para o sample. Eu acho que é esse o diferencial do modelo de marketing do Flickr, o serviço é ótimo, e para ter o algo a mais basta pagar. Não deixa de ser free, mas esse free está mais para sample.
    Ainda temos fronteiras mesmo falando do ciberespaço, fronteiras culturais do mundo real, e os modelos de negócio on-line ainda estão se adaptando a cultura do povo brasileiro. Aqui ainda estamos adaptando a nossa cultura a cibercultura global, e os nossos modelos de negócio on-line ainda estão engatinhando.

    =) Reinam.

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